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Cadeia de União

Devemos considerar “Cadeia de União” na Maçonaria, como sendo uma “corrente” de anéis que “une” as partes teóricas e práticas. O símbolo formado por múltiplos anéis interligados entre si, sem princípio nem fim, evidencia a união perfeita, igual e imutável daqueles que aceitam unir-se por laços fraternos. Esta “corrente” vem sendo formada pelos seres humanos, dentro dos templos, entrelaçando-se os braços, unindo-se os corpos e as mentes, em uma demonstração e confirmação de bons propósitos. A “Cadeia de União”, formada dentro de um Templo, não simboliza a união fraterna; ela em si demonstra ser a própria fraternidade.


Se nos reportarmos ao passado, concluiremos que a origem da “Cadeia de União” estava presente na vida do homem primitivo, que sentado em forma de círculo para aproveitar o calor em torno da fogueira, organizando-se socialmente próximos uns dos outros especialmente à noite, descansando, iniciavam suas comunicações sobre suas conquistas e aventuras, obtendo dos mais velhos, conselhos necessários e dos que detinham autoridade, as ordens do que deveriam cumprir. Considerando os aspectos místicos que recém-despertados, como o próprio culto ao fogo, aspirando o “perfume” da madeira queimando, envoltos na fumaça, como se fosse um incenso rudimentar, “sentiam” o “som” do crepitar das chamas, aquele hábito, de insatisfação nas reuniões e o bem-estar da situação, faziam com que a amizade fosse sincera e cultivada, eram quem sabe, os primeiros elos ao culto da fraternidade.

Mais tarde, observamos que tudo no Universo transcorre em círculos e cadeias. O Sistema Solar, a rotação dos astros e a própria Terra obedecem as leis simples, claras e harmônicas, movimentando-se em círculos. Até o próprio viajante perdido no deserto caminha em círculos.

Sendo assim, cada Maçom constitui um “elo” da “Cadeia de União” e fora de sua formação, faz parte dos “elos em expectativa”, para reunidos atuarem em conjunto. Dessa forma, nenhum “elo” permanecerá isolado e fora do todo após ter participado de uma “Cadeia de União”. Porém, e isso está impregnado de esoterismo, o que faz a formação mental é a “Palavra Semestral”, que tem o dom mágico, assim como um sopro divino, de unir os “elos” esparsos. Por isso, se faz necessária a aproximação entre os “elos” periodicamente, e não como um aspecto meramente administrativo, onde a “Cadeia de União” é formada exclusivamente para a transmissão da “Palavra Sagrada”, não podendo ser esquecida a contribuição esotérica desse momento de união, e tornando escassa a atividade espiritual, restringindo o direito que todos adquiram usufruir da “força”, representada pela “União em Cadeia”, que nos traz o benefício da meditação, do fortalecimento íntimo por meio da dádiva da paz, e sabedoria.

Muitos confundem a “Corda de 81 Nós” com a “Cadeia de União”, confundindo dessa maneira “elos” com “Nós”. Vale lembrar que “elo” é um elemento que une dois outros “elos”, mantendo-os isolados e livres. Já os “Nós”, são formados por uma só “corda”, que se entrelaça e prossegue; portanto, o nó não une.

A “Cadeia de União” é formada por tantos “elos” quanto o número de maçons presentes. Os elos nunca são os mesmos, porém, por terem os maçons amor fraterno e universal, estão acorrentados aos seus irmãos de Loja, na solidariedade do bom senso comum e do crescimento espiritual. Também pode ser descrita como uma prisão mística e ser o mais belo símbolo dentro de uma Loja, isto é a “cadeia” em direção a “união”, por isso o Salmo 133, “Oh! Quão bom e agradável viverem unidos os irmãos”, que nos revela que a união entre os irmãos os faz uma só pessoa, não podendo ser mais bem mostrada pelo símbolo da “Cadeia de União”.

O objetivo primário da Maçonaria é unir os irmãos de tal forma que devam e possam parecer um só corpo, uma só vontade, um só espírito. Demonstração disso é a abertura do Livro da Lei, que é um ato de cerimônia que conduz o pensamento dos obreiros à Divindade.

Cada participante da “Cadeia de União” no início é um elo, mas logo passa a ser “corrente” plena. Dentro de cada um de seus participantes, no seu centro, se encontrará nos centros dos demais, e sem perceber, formará um centro único, o centro da vida verdadeira.

Concluo, afirmando, que a Maçonaria não é o “abrir e fechar” de um Ritual, mas vivenciá-lo.

T.•.F.•.A.•.
Ir.•. Paulo de Tarso Palombo Luiz de Souza
Loja Simbólica Estrela do Araguaia II, 1912

   

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